Início Cultura Drag Queen “Não tem nada que substitua o aplauso e grito do público”

“Não tem nada que substitua o aplauso e grito do público”

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 Leandro Martins (43), Assistente Administrativo sempre gostou de drag queens, só que nunca tinha visto uma pessoalmente. Ele teve inspiração e vontade de ser drag após assistir a sua primeira Parada LGBT de Pelotas, e se montou pela primeira vez com ajuda dos seus amigos, e assim nasceu a Maddivah, drag que gosta de agradar vários tipos de público.

 A Aquenda Revista conversou com Maddivah via WhatsApp. Ela falou porque quis ser drag, conselhos, diferenças entre Leandro e Maddivah, inspirações e muito mais. Confira a entrevista completa:

Foto: Arquivo pessoal

Aquenda Revista: Porque você quis ser Drag Queen?

Maddivah: Eu sempre curti drag Queens em filmes, e via na TV, porém, nunca tinha visto pessoalmente e nem sentido na pele o que era fazer parte dessa arte incrível, daí depois que ocorreu a primeira Parada LGBT aqui em Pelotas, e vieram várias drags de outros locais, principalmente de Porto Alegre, acendeu em mim uma vontade enorme de fazer o mesmo, e isso me fez perder grande parte da minha timidez e baixa autoestima. Também comecei a frequentar festas e ver mais de perto o que era ser Drag Queen, e aí meti a cara a tapa mesmo!!

Aquenda Revista: Quando você se montou pela primeira vez?

Maddivah: Eu comecei a me montar em 14/12/2004 com mais dois amigos, nós ajudávamos muito uns aos outros, nós emprestávamos maquiagens, roupas, calçados e perucas. Eu não sabia me maquiar, somente um de nós sabia, e ele maquiava os três. Eu comecei em uma festa local chamada Odeon Bar e depois na Babyllon onde fui muito bem acolhida e sempre muito bem tratada pelos proprietários.  Quando comecei a ser drag, eu  fazia uma linha mais andrógina. Poucos entendiam e bebiam da arte, porém com o tempo fui mesclando os estilos pra agradar os vários tipos de públicos. Nós íamos nas Paradas gays locais ver artistas de outras cidades e ficávamos apaixonados, já na segunda estávamos deslumbrados, e na terceira edição eu já estava lá montadíssima em meio a várias outras artistas locais e da região.

Aquenda Revista: Você se inspira em alguma drag?

Maddivah: Quando eu comecei a me montar, quem bombava na mídia era a Dimmy Kieer, de São Paulo. E eu admirava muito o trabalho dela, tanto na make, produção, cabelo, comportamento e postura. Depois conheci Lysa Bombom e me apaixonei também. Eu sempre fui fã de Madonna, Cher e Kylie Minogue. Acredito que minha inspiração foi uma junção de todas essas personalidades, e com o passar do tempo fui acrescentando mais conhecimento e vivência.

Aquenda Revista: Qual a maior diferença entre o Leandro e a Maddivah?

Maddivah: A maior diferença existente entre nós dois, com certeza, é que eu por incrível que pareça, embora seja divertido e comunicativo, sou tímido. Já a Maddivah não, ela pode até se sentir meio bloqueada de início em algum ambiente ou situação nova e diferente, porém, ela mete a cara e faz a louca, ela interage e se mostra presente. Já eu (Leandro) fico de canto, quieto, somente observando tudo o que está rolando no local.

Aquenda Revista: Já sofreu algum preconceito por ser Drag?

Maddivah: Já senti preconceito sim, no próprio meio Lgbtqiap+, pois no começo eu era muito simples. Quando a gente começa não tem muita noção, não tem muito recurso, e muitos caiam em cima, riam, debochavam diziam que não ia durar. No começo já tive problema também em relação a relacionamento, pois, ninguém queria namorar com quem fazia Drag por puro preconceito. Pelo fato de ser montada, em relação a feminilidade, julgavam porque se a pessoa se monta é afetada e etc … hoje às coisas são bem melhores, as pessoas são bem mais descontraídas e mente aberta.

Aquenda Revista: Qual conselho você dá p quem quer ser Drag? Seja como hobby ou profissão?

Maddivah: O meu conselho é: vai com tudo, sem medo do resultado! No meu caso, quando resolvi meter a cara mesmo, eu sabia que uma de duas coisas aconteceriam… ou seria um flop e eu nunca mais faria drag, ou seria bem aceita e aplaudida. Eu ia gastar, ter que me dedicar 100% e realizar meu papel de artista. O público não quer saber o que tu estás sentindo, eles pagam pra ver o artista brilhando e entretendo eles.  Se tu tens certeza de que é isso que tu queres, tens meu total apoio. Agora se for por hobby se joga mesmo, e aproveita porque a vibe é maravilhosa, não tem nada que substitua o aplauso e grito do público.

 

Foto: Arquivo Pessoal

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