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“O não convencional é belo”

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    Muitas pessoas pensam que drags são sempre exuberantes, glamourosas…só que não é bem assim. Tem algumas drags que gostam de performar um pouco diferente, com uma temática diferente. É o caso da Valkíria Montezuma. Ela é praticante de BDSM (Bondage,Disciplina,Sadismo e Masoquismo),  e gosta de performar com essa temática, principalmente com  velas. O Ronan Cesar Sedrez (nome de batismo da Valkíria), 33, natural de Brusque –SC, licenciado em Música, acredita que todas as pessoas têm algum tipo de fetiche. Ele se descobriu praticante de BDSM após pesquisas na internet. O Ronan mora em Porto Alegre há 10 anos e atualmente também trabalha como barbeiro. Vamos descobrir um pouco mais sobre essa drag livre que é a Valkíria?

   A Aquenda Revista conversou com ela via WhatsApp, no qual ela falou sobre o porquê  quis ser drag, motivos da drag ser inspirada no BDSM, desafios, diferença de Valkíria para Ronan e muito mais. Confira a entrevista completa:

 

Aquenda Revista: Por que você quis ser Drag Queen?

Valkíria: Olha, desde que eu conheci essa arte, sempre me chamou a atenção a extravagância, as possibilidades, a maneira de expressar, aí a vontade só foi aumentando com o tempo de poder eu mesmo explorar o que eu podia expressar e pudesse passar algo que eu gosto para outras pessoas. Acredito que o grande ponto é ser livre, ter liberdade pra se expressar, ser criativo, passar alguma mensagem, sentimento…. quando a gente começa a admirar muito algo que você consome cada vez mais, vem a vontade de experimentar.

 

Aquenda Revista: Qual foi a primeira performance da Valkíria? E quando?

Valkiria: Então, a minha primeira performance foi no “Pimp My Drag”, que foi o workshop que fiz com a Cassandra Calabouço. Foi a primeira experiência performando pra um público, mas eu considero que ali não foi bem o nascimento da Valkiria, porque ali ainda não tinha a minha essência. A Valkiria de hoje, nasceu de fato, quase 01 ano depois, quando fui convidado para perfomar na Motel Fetish, uma festa de BDSM e fetiche, onde entreguei uma performance que foi o início da Drag alternativa que tenho hoje.

 

Aquenda Revista: A sua essência é ser uma drag alternativa?

Valkiria: Sim. A minha essência é ser uma Drag alternativa, do rock, punk, careca, que gosta de levar coisas diferentes pro palco. Que quer mostrar que o não convencional é belo.

 

Aquenda Revista: O que é belo para você?

Valkíria: Bom, belo mesmo pra mim é relativo, eu vejo beleza em coisas não padrões, mas nos padrões também. O belo representa algo que nos agrada os olhos então é difícil explicar o belo heheh

 

Aquenda Revista: Você já sofreu preconceito por ser Drag Queen?

Valkiria: Eu nunca percebi nenhum tipo de preconceito à minha volta, tipo diretamente nunca ouvi nada de preconceito, mas eu sinto ainda que meu estilo de Drag não é tão celebrado como outros estilos, tipo, não estou em todos os espaços ainda…. acredito que seja apenas isso…

 

Aquenda Revista: Você sente que seu estilo de Drag não é tão celebrado como outros estilos por ser mais alternativo?

Valkiria: E sim, eu sinto que não tenho tantos espaços, ou tantos trabalhos quanto outras drags consideradas mais padrão, sinto que tenho essa diferença por ter um estilo de Drag alternativo, e não que o público não goste, muito pelo contrário, recebo muito acolhimento e elogios por parte do público, é mais dos locais mesmo darem mais oportunidades de trabalho…

 

Aquenda Revista: Você gosta de performar alguma coisa específica voltada para o BDSM/ Fetiche em suas apresentações?

Valkiria: Eu adoro inserir elementos de fetiche/BDSM em minhas performances. Claro que tudo depende do local onde estou inserido e dos contextos, mas no geral o elemento que mais uso é as velas, pingar cera de velas pelo corpo.

 

Aquenda Revista: Você falou que gostava de respingar velas…só que você gosta de respingar vela ou que a vela respingue em você?

Valkíria: Sim! Eu gosto de respingar velas, prefiro eu mesmo respingar elas em mim, ou no máximo deixar elas escorrerem.

 

Aquenda Revista: Você também é praticante de BDSM ou só a parte artística da drag?

Valkíria:  Eu também sou praticante de BDSM, e incorporei esse aspecto a algumas performances e estilo da minha drag.

 

Aquenda Revista: Como você se descobriu no mundo BDSM?

Valkíria: Descobri na adolescência, através da internet. Acredito que todos tenham algum tipo de fetiche, e pesquisando isso pela internet, conheci e entrei no mundo do BDSM.

 

Aquenda Revista: Qual a maior diferença da Valkíria e Ronan?

Valkíria: A Valkiria é mais confiante, mais poderosa, mais imponente. Eu acho que é quase uma entidade que consegue ter sua presença notada e ser vista.

 

Foto: Arquivo pessoal

 

 

 

 

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